Um longo #subtoot.
Odeio o anglicismo “Tive a realização” ou “Eu realizei” (I realized) no sentido de “percebi”. Odeio não porque é um estrangeirismo puramente, mas porque “realizar” já tem um sentido bem estabelecido em português brasileiro.
Eu acho interessante a relação entre as línguas, mas não dessa relação de empastelamento vocabular. Não há absolutamente nada de saudável em trocar uma palavra por outra simplesmente porque “lembra o inglês” ou porque “esqueci como se fala isso em português”.
O que é saudável ao meu ver é importar signos e sintaxes de outra língua que permitam, não uma substituição de uma expressão por outra, mas a ampliação da nossa expressão na língua materna a fim de atingir uma nova racionalidade que ela em si mesma não alcança. Alguns chamam isso de aportuguesamento. Eu chamo de antropofagia linguística.
Um exemplo simples disso: como a gente se refere às pessoas que moram conosco? “A pessoa com quem divido apartamento”. Como se fala em inglês? Roommate. Assim, puro e seco. Se eu transformar essa palavra em português, além de “economizar palavras”, terei mais formas de expressar sobre o ato de dividir apartamento.
Terei um rumeite. Costumamos rumeitar durante a semana. Caso meu rumeite saia de casa, terei que procurar outro rumeitante. Eu serei o rumeitador. Assim, alcanço outro nível de racionalidade e sensibilidade sobre a vida cotidiana.
Se eu simplesmente adotar roommate como palavra em si, isso não passaria do nível de substantivo. Essa “morte prematura” de palavras acontece a todo momento com termos técnicos da TI, inclusive.