@RosaLuxemburgo@comunismo Essa discussão é muito importante, e penso muito nisso. Já acreditei que pela diferença de forças uma Revolução comunista propriamente dita teria de começar no núcleo do sistema, ou seja, no seio das superpotências, o que vai ao encontro do que Marx diz sobre o capitalismo ser um estágio necessário nesse caminho. No entanto, ocorreu-me que os países que fizeram a Revolução ainda estavam num estágio muito inicial do capitalismo. A Rússia ainda se via às voltas com o czarismo e as guerras, China era basicamente rural e recém havia conquistado sua independência, Coreia tinha tido suas indústrias arrasadas pelo Japão quando conquistou a sua independência, Cuba era curral dos EUA...
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo Bom dia, camaradas! Estou em outro fuso horário, por isso não pude acompanhar a conversa em tempo real, mas gostei muito de ler as suas reflexões hoje de manhã ao acordar. Acho que ter essas preocupações, e eu também as tenho, é um bom sinal, tanto de que estamos possivelmente caminhando na direção em que temos de tomar decisões quanto a isso, como de que talvez estejamos preparados pra tomar essas decisões quando chegarmos lá.
Eu agora de manhã tenho compromissos, mas queria manter essa conversa ativa para vermos até onde podemos chegar. À tarde volto aqui para trazer um outro ponto de vista que queria compartilhar com vocês, para me dizerem o que pensam sobre isso.
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo Novamente a camarada Rosa toca num ponto crucial, e eu concordo que a Revolução não deveria admitir, e muito menos se apoiar na exploração dos trabalhadores. A ideia é justamente libertá-los.
O ponto de vista que eu queria trazer sobre isso é que talvez devêssemos rever a premissa de que o desenvolvimento econômico no Estado socialista deve alcançar os mesmos índices dos Estados capitalistas, em que a exploração brutal dos trabalhadores é a regra.
O nacionalismo, nos Estados capitalistas, associado à globalização da produção, é o que permitiu que os avanços socioeconômicos aconteçam à distância de onde se exploram os trabalhadores, e um Estado socialista não deveria almejar igualar os resultados obtidos dessa forma. +
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo Li em qualquer lugar que, se o nível de consumo dos EUA fosse igualado pelos demais países, nós precisaríamos de três planetas para sustentar a Terra.
Se, portanto, o nível socioeconômico dos EUA-Europa é insustentável, devemos pensar não em formas de igualar esse padrão, mas em formas de reorganizar nossa atual produção, mesmo com o esforço laborativo que já fazemos, para que ela reverta em favor dos trabalhadores, e não seja dirigida toda para os detentores do capital.
Eu sempre penso nos trabalhadores da indústria da construção civil, muitos dos quais vivem em casebres em situação irregular, porque o que constroem durante a jornada de trabalho não se destina a eles. +
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo A China, sob um partido comunista atualmente revisionista, impôs aos próprios trabalhadores um sistema exploratório e, com isso conseguiu reter dentro de suas fronteiras parte do resultado dessa exploração, que, do contrário, seria todo escoado para o centro do sistema capitalista. Só isso já melhorou muito a situação socioeconômica do país, e garantiu alguma independência, sem rompimento com o ocidente. É o que eles chamam de socialismo com características chinesas. Se em algum momento essa exploração pode ser interrompida para que possam a gozar verdadeiramente os benefícios do sucesso, é algo a se ponderar.
Mas um socialismo com características brasileiras poderia almejar outros sucessos. +
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo Veja, a propósito, que o nosso agro é dependente de insumos importados porque se dedica à monocultura voltada para a produção de commodities destinadas à exportação. Mas podíamos almejar uma reforma agrária que invertesse essa lógica, com uma produção agroecologia descentralizada, próxima dos centros urbanos. Podíamos almejar a reinserção urbana das comunidades faveladas direcionando a indústria da construção civil para essas áreas. Podíamos almejar reduzir o número de burocratas (contadores, advogados, bancários, financiários, securitários, faria-limers, etc.) e aumentar o número de trabalhadores nas áreas da saúde e educação... Enfim, reorganizar a produção já resultaria em enormes benefícios, e isso certamente ganharia a simpatia do povo.
@RosaLuxemburgo@austra_lopiteco@comunismo Eu acho que o trabalhador brasileiro está absurdamente alienado da produção, e somente vendo-se a si mesmo produzindo e se beneficiando da produção é que pode ganhar consciência de classe.
@sergiovds@botsocialista eu falei disso no fio abaixo, mas agora estava me referindo ao posicionamento da "centro-esquerda", que empresta justificativas para a invasão ao ver os supostos benefícios para a "democracia" e para a economia da Venezuela com o sequestro do Maduro.
E é mesmo aquilo que eu falei no fio, só que somos nós mesmos, os bárbaros explorados, admitindo a superioridade do colonizador civilizado, que vem trazer democracia e levar petróleo. O Trump nem tá se preocupando em alegar que foi pelo autoritarismo do Maduro, até porque seria uma puta hipocrisia.
É que a centro-esquerda quer ser civilizada, não quer ser confundida com os bárbaros que não tem a "democracia" burguesa dos EUA. Rejeitam Maduro para não serem rejeitados pelos colonizadores.
Disseram a mesma coisa no Viracasacas, e eu cancelei a subscrição do podcast. Depois ouvi o mesmo do John Stewart do Daily Show. Isso depois de os EUA terem invadido a Venezuela com o propósito declarado de roubar petróleo, *confirmando* os motivos por que o Governo da Venezuela precisa tratar com rigor os opositores, que *obviamente* são financiados pela CIA.
@sergiovds Já fui ateu, hoje sou agnóstico, e, arrisco errar justo com alguém com currículo na teologia, mas acho que consigo te provar que Deus existe usando só os caracteres restantes deste toot (e olha que não fui particularmente econômico até agora).
Na verdade não sou eu, é Spinoza que prova. Tem uma passagem em que ele menciona "Deus, com que me refiro à Natureza", e, paradoxalmente foi acusado por isso de ateu. Mas o fato é que a Natureza existe, e, se Deus é a Natureza, então Deus existe.
Depois disso, para afirmarmos que Deus não existe, precisamos dizer que Deus é outra coisa que não a Natureza, mas só podemos afirmar isso dizendo que ele é — e, por ser, que existe.
Eu, particularmente, como agnóstico, não encontro uma melhor definição para Deus do que a dada por Spinoza.
Trabalhando no meu tabuleiro novo. Tirei a foto e fiquei pensando que não tinha com quem compartilhar. A impressão é de que ninguém iria apreciar isso, só se impressionar com o trabalho que estou passando, invés de mandar imprimir numa gráfica. Aí me lembrei de vocês, meus estranhos amigos do Fediverso que entendem a importância do fazer pelo fazer. Então, aqui está. Alguém quer jogar?
Comunista desde criancinha, da época da URSSAntifa, anti-racista, feministaPai de duas meninasMestre em DireitoMetido em desenvolver jogos de tabuleiro e escrever livros