Olha, eu passei 20 dias rodando por 5 assentamentos de reforma agrária popular do MST no Pará, visitei mais de uma centena de famílias (115) e ouvi muitas histórias. E fiquei com um sentimento misto de orgulho e revolta.
Muito orgulho de ver um movimento brasileiro tão forte e com uma causa tão importante. As oportunidades de educação que o MST proporciona, a organização e a articulação e engajamento são impressionantes de ver. Os agricultores sabem seu papel social e sua importância no contexto da sociedade. De repente tu tá tomando uma aula de sociedade brasileira de uma velhinha agricultora. Sem contar que esses assentamentos são vetores de recuperação e manutenção da vegetação nativa. Grandes áreas que no passado eram monocultura (dendê, coco, pastagens..) agora são ricas misturas de vegetação secundária e sistemas agroflorestais. Os caras são guardiões da biodiversidade, além de tudo.
Mas o descaso e ameaças constantes são estarrecedores. A falta de apoio de governos e a falta de tecnologia no campo da agricultura familiar impõe um trabalho pesado e penoso. Uma parcela enorme das pessoas tem doenças advindas do excesso de esforço. Prefeituras apoiam a invasão de terras conquistadas pelo MST. Comando Vermelho ameaça e mata pessoas nos assentamentos. Empresas ludibriam, assediam e endividam os assentados e tomam suas terras. Pessoas externas compram lotes de reforma agrária e transformam florestas em terras aradas nuas.
Olha, não é todo mundo que tem estômago pra essa luta. Muitos desistem e abandonam o campo. Mas tem uma galera que finca o pé e resiste. Protege florestas e produz alimentos saudáveis. Que experiência que foi essa!! Força pra esse movimento! O país precisa demais de vocês!
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