Já escrevi sobre isso, mas o processo que a extrema direita submete o mundo, e só o faz porque tem as redes sociais que facilitam esse trabalho, é exatamente o que uma seita faz com seus fiéis. Ou um abusador faz com sua vítima.
1. Sedução. Aquilo que era muito difícil de entender ou conseguir ela vende como fácil. O problema é x, a solução é y.
"Eu tenho tudo o que vc quer e acho você importante. Eu amo você". A sedução é emocional e logística, de ordem prática. Não importa se é mentira.
2. Isolamento. Antes que a pessoa perceba a mentira ela é isolada. Aí entra o conspiracionismo. Para vender uma mentira, é preciso acabar com qualquer possibilidade de buscar a verdade: "todos mentem para você: seus amigos, seus professores, a imprensa, a ciência, sua família". "A única verdade vem de mim e de quem acredita em mim". Os algoritmos das redes sociais, a ideia estadunidense de total liberdade de expressão e hoje a IA são linhas auxiliares desse processo: o algoritmo isola. A liberdade total de expressão faz com que a pessoa possa desafiar fatos, recriar a história e vender o ódio como política. A IA transforma a mentira ficcional em verdade material. "Como assim é mentira se eu posso ver na minha frente?"
3. O gaslighting. Tem uma hora em que quem vive em uma mentira começa a sofrer, a se machucar. A resposta para isso é: "Você não está sofrendo, você não está se machucando. É loucura da sua cabeça". Ou "você só está sendo ferido porque não se portou direito. Não entendeu direito. Não seguiu exatamente o que quem te entrega a verdade pediu. A culpa das suas feridas é sua". Imagina fazer isso em uma escala global? Centenas de milhões de pessoas são levadas a acreditar que é seguro tirar a máscara numa pandemia de um virus que se propaga pelo ar. Se a pessoa fica doente "é porque você é gorda, frágil, ainda não boa o suficiente". Esses mesmos milhões são orientados a não se vacinar.
Aqui alguns podem começar a perceber que foram enganados. Mas e a vergonha?