Eu acho o problema do boicote um pouco mais grave, por que não é só o ocultamento do processo político, é a mercantilização do processo político. É pelo consumo que eu afirmo minhas preferências político-sociais.
É claro que nesse caldo social, as big techs iam nadar de braçada.
Sobre os tempos revolucionários, acho que é difícil dosar a urgência da ação e a construção histórica. Acho muito importante se organizar, mas pela falta de organizações capazes de conduzirem politicamente seus militante de forma minimamente efetiva fora de certos núcleos (por que na boa, transformar gente com ímpeto revolucionário em crianças do século 18 que vivem pra vender jornal e fazer denuncismos, não me parece a forma mais eficiente de organizar a luta política). Acho que o momento do partido de massas revolucionário está para chegar e tenho um otimismo da vontade que me diz que não demora.
Por duas razões contrárias, eu recomendo mais do que se organizar, que trate cada espaço como político, disputar consciências e do modo mais acolhedor possível, mas sem ocultar a bandeira de revolucionária, sem medo de dizer o nome. Primeiro porque, se você não consegue se organizar e militar agora, quando surgir o momento histórico apropriado haverá mais pessoas dispostas a ouvir. Segundo, por que se a reação vencer no sentido de brutalizar novamente com os comunistas, de nada vai adiantar esconder que era comuna enquanto trocava figurinha de Stalin no whatsapp; a Palantir já sabe. Mas mais que isso, vamos precisar do máximo de pessoas que entendam que comunistas não são bicho de sete cabeças, tanto pra te proteger quanto pra criar massa pra reverter a reação.
Por isso eu recomendo também, no cotidiano, focar a disputa em economia, por que se a imagem do comunista cotidiano for a daquele preocupado com a eficiência econômica dia problemas cotidianos, reduz a possibilidade de fascistização. E outra economia criará outros problemas, os atuais são asquerosos.