Uma parte da experiência de viver fora do pais por muito tempo é o processo de deixar de pertencer. Você nunca terá a sensação de pertencimento ao lugar novo (ao menos, no meu caso) e, ao mesmo tempo, perde o seu pertencimento ao lugar original.
Você muda, as pessoas que ficaram mudam, a sua cidade muda. Isso acontece o tempo todo mas a gente não percebe tanto quanto está imerso.
Quando você vai pra longe, ainda tem uma parte de você que congela no tempo - e é um choque quando você está em seu país e, embora ainda funcione, é perceptível que algo está fora de sincronia.
As vezes, é positivo: você interpreta coisas com olhos que não tinha antes. Outras vezes, é bem ruim - dá a impressão que você está vivendo atrás de uma placa grossa de vidro.