"Existe um nome pro que aconteceu em Santarém.
Chama-se ZONA DE SILÊNCIO.
Zona de silêncio: é o termo que organizações de imprensa da América Latina usam pra descrever territórios onde o jornalismo independente desaparece por completo. Não por falta de vontade.
Por medo.
O Tapajós de Fato recuou da cobertura eleitoral de 2026 depois de anos de ameaças que começaram assim: reportagens sobre venda ilegal de terras num assentamento no Pará.
NÃO É COINCIDÊNCIA
Levantamento da Abraji mostra que, no Norte e no Centro-Oeste do Brasil, assédio judicial é a ferramenta mais usada contra jornalistas que cobrem conflitos de terra.
Também não é coincidência o momento. A mesma pesquisa alerta que o ciclo eleitoral historicamente aumenta a violência contra jornalistas no Brasil.
O medo do Tapajós de Fato em 2026 não é exagero. É um padrão já documentado.
Na Amazônia peruana, o jornalista Mitzar Castillejos Tenazoa investigava financiamento de mineração ilegal e rotas de narcotráfico. Foi executado por sicarios em 2025.
Na América Latina inteira, 23 jornalistas foram assassinados em 2025. Uma morte a cada 16 dias. A maioria investigava corrupção ou economias ilegais, como fazia o Tapajós de Fato.
Só em 2025, 31 jornalistas da região precisaram deixar seus territórios por segurança. Cada saída dessas cria uma nova zona de silêncio, num lugar que antes tinha cobertura.
UMA ZONA DE SILÊNCIO NÃO NASCE DO NADA.
Ela é construída, ameaça por ameaça, até um veículo decidir que não é mais seguro falar."
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